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Não em nosso nome!


Nota oficial do Sindicato de Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e MS- CUT

A Presidente da República editou a Medida Provisória 680 em 06/07 instituindo o PPE- Programa de Proteção ao Emprego, que permite que empresas reduzam a jornada de trabalho e o salário em troca de uma estabilidade provisória. O Presidente da CUT já havia assinado nota pedindo junto com a Força Sindical que fosse adotado tal plano.
O plano é copiado do modelo alemão, organizado pela Social Democracia alemã em conjunto com a Central Sindical (DGB). O resultado é que os salários na Alemanha estão comprimidos e isto está garantindo os lucros das empresas, enquanto aumenta o nível de pobreza da população,
No Brasil, a situação será muito mais complexa que lá. A começar que as empresas já demitiram milhares de trabalhadores e não vão readmiti-los. Depois, enquanto a inflação aumenta, falar em reduzir salário vai significar um arrocho duplo: aumenta a energia elétrica (mais de 60% em alguns casos), aumenta o preço do transporte, aumenta tudo e reduz o salário? Quem é que vai aguentar isso?
O Secretário da CUT Sergio Nobre afirma em nota oficial que a Central fará um amplo debate com os sindicatos e o DIEESE sobre o assunto. Perguntamos: onde fica a bandeira aprovada e reafirmada em congressos, plenárias, assembléias e reuniões da CUT pela a redução da jornada de trabalho sem redução salarial? Afinal, aonde foi parar a luta pelas 40h semanais, sem redução do salário? Qual instância autorizou a direção da CUT a apoiar esta medida que se coloca claramente na linha de apoio ao ajuste fiscal? Nós os ferroviários não apoiamos esta iniciativa, e a CUT neste caso não fala em nosso nome.
Recentemente os trabalhadores da Mercedes deram o seu recado e recusaram a chantagem da empresa, não aceitaram a redução do horário de trabalho com redução salarial. Este é um exemplo que deve ser seguido.
Os congressos estaduais da CUT, o Congresso Nacional, as direções sindicais, as assembléias e plenárias, têm que tomar uma posição clara desde já, abrindo uma vigorosa campanha junto à classe trabalhadora para derrotar a MP680 do PPE no Congresso Nacional, reafirmando a necessidade da estabilidade no emprego, da redução da jornada de trabalho sem redução salarial, e a estatização de todas as empresas que demitir em massa.
Não podemos aceitar a chantagem governamental que atende os interesses patronais. O único caminho possível para a vitória de todos é: recusar os planos patronais e apoiar-se na unidade da classe trabalhadora contra os ataques de governos e patrões.

Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e MS- CUT